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sábado, 21 de outubro de 2017

WRITOBER #21 - Are We There Yet?

Desconhecido

A naveta entrou na atmosfera e após o impacto da aproximação, desacelerou e desceu graciosamente sobre uma das capitais. Xilos era um planeta na sua grande parte aquático, muito azul visto do espaço e ainda mais azul ao aproximar. Havia dois continentes na linha do equador, onde o clima era quente, mas nunca incomodativo.
Porque só havia dois continentes, densamente habitados, nunca houve grandes guerras, apenas pequenos deterrentes pontuais que permitiram a ambas civilizações evoluírem de forma saudável.
Suzako enviou várias mensagens a avisar, mas o assunto urgente já corria a uninet: a Centaur já não existia. E quando aterraram, a escolta dos dois continentes esperava-os para levar à sala real, onde os dois líderes de cada continente os esperavam.
"Ninguém se atreve a assassinar um Embaixador!" exclamou Johanes.
"Tal acto seria respondido com guerra" terminou Merlot, mais calma.
O Rei Johanes, do continente de Zimbia, carregava mais a emoção do seu estatuto real, ao passo que a Presidente Merlot, do continente de Xontee, ponderava um bocadinho mais antes de falar. Não obstante ambos estavam correctos. Mercenários e piratas podiam fechar os olhos a algumas alíneas da lei, mas matar algum cargo político implicaria uma exterminação sem excepções. A OxyGen era uma empresa de renome do no universo habitável, tal acção acarretaria enormes consequências tanto a nível financeiro e legal. Portanto, sim, a Centaur não existia. A tripulação provavelmente tinha sido apagada deste plano existencial, mas o Capitão Momoa, também Embaixador daquele planeta Xilos estaria vivo, refém algures, mas vivo o suficiente para servir como moeda de troca.
E ali estava o que queriam: a mulher conhecida como Gilass Milano.
Johanes voltou a examinar Gilass de alto a baixo e fingiu uma tosse para misturar uns impropérios mais baixos em relação à mulher. Merlot aproximou-se com mais humanidade.
"São irmãos, perdoa-lhe a atitude, mas ele não te deseja mal" explicou a Presidente. O Rei grunhiu e voltou-se para a janela e para o brilho do mar, ao entardecer.
"O pedido do Embaixador Momoa foi um pedido estranho, mas será honrado. Amanhã bem cedo irás voar até à Biblioteca Central," Johanes virou-se apenas para a mulher e procurou-lhe os olhos. "Apenas tu, Gilass Milano."
Bonna e Suzako entreolharam-se. Merlot interveio.
"Vocês os dois têm mais do que fazer, não?" Tinham sim: arranjar voluntários e resgatar o Capitão, mas deixar a Gilass sozinha? Bonna juntou-se à companheira e puxou-a com um braço para si.
"Ela não ficará sozinha, garanto." Merlot adivinhou o que a pirata ia dizer. "O tempo é essencial aqui. Há muito que fazer na biblioteca, temos a maior das colónias, imensos registos físicos, digitais e virtuais para encontrar essa agulha no palheiro. E tu tens de tratar de alguns assuntos menos diplomáticos."
"Haverá um jantar logo. Agora terão alguma higiene, roupa e um quarto para descansar. Se me permitem." Johanes terminou o convite e marchou pela enorme porta. Merlot ficou a receber os empregados que entraram depois do Rei e transmitiu o convite aos três convidados.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

WRITOBER #20 - Out of The Frying Pan and Into the Fire

Mustafa Lamrani

Havia vermelho na mão do Capitão. Gilass prendeu a ligadura e voltou a descer-lhe a camisola. Bonna falava com Suzako.
"Capitão, temos de ir" Bonna regressou para junto de Momoa que olhava para o toldo da banca. Tinha outra bebida na mão que lhe fora oferecida. As pessoas estavam a regressar aos poucos ao mercado e muitas não faziam ideia do que tinha acontecido há pouco; para alguns era mais um dia em que tinha rebentado mais uma escaramuça. O corpo do Persimon foi arrastado por alguns populares, provavelmente ia ficar sem a roupa e sapatos e pertences que trazia consigo. Alguém tinha passado por eles com a túnica e o Capitão nem sequer os impedira. As duas mulheres não quiseram dizer nada.
Ele mantinha-se calado: bebida numa mão e vermelho na outra, lábios secos entreabertos e respiração lenta. Bonna voltou-se para a outra.
"Temos de ir já. Ajuda-me com ele."
O copo caiu e rolou pelo chão, espalhando o álcool. Grunhiu ao endireitar-se e atirou-se para a vida. Vestiu o casaco e passou por elas sem palavra, em direcção à naveta. Bonna apressou-se para acompanhar o passo e Gilass seguiu, ignorando os olhares da maré de pessoas que voltou a cobrir a rua.
Encontraram a naveta a ronronar e o piloto pronto a voar. O capitão entrou para trás e sentou-se à porta com o braço a barrar a subida das companheiras.
"Bonna, leva-a para Xilos. Leva-a à biblioteca."
"Han?"
"O que o gajo disse. Imortalidade. Descarregar, memorizar e partilhar."
"E então?" perguntou a pirata.
"Milano" voltou-se para a outra. "Ouves muito, vês muito. Não estás em lugar nenhum, mas estás em todo o lado. Sabes tudo. Assimilaste o teu trabalho e esta vida. Que mais?"
"Tenho boa memória. Só isso."
"Quando és pirata aprendes uma coisa ou outra quando andas por aí a voar e ouvi uns zunzuns de um sítio onde podes arrumar a cabeça...
"Que tipo de sítio?" perguntou Gilass.
"Não sei e nunca tive muito interesse. Bonna, Xilos, biblioteca. Suzako, pisga-te com elas."
"E tu?" Faltou-lhe a reverência a saltar para fora com os auscultadores e aparato musical atrás.
"Eu tenho de arrumar umas coisas também." Arrastou a porta para fechar e, acto continuo, a naveta levantou do chão e ascendeu. Os três afastaram-se à procura de outra plataforma.

"Centaur, aqui Momoa. Preparem-se para me receber."
Quando a naveta se aproximou, a Centaur estava frente a frente à espaçonave pirata Heracles. Atrás da Heracles estavam duas espaçonaves mercenárias, a Modern Love e a Space Oddity. Distante, o cruzador Nineteen Eighty Four observava.
A naveta abrandou e foi engolida pela Centaur. O silêncio do frio espacial infiltrou-se nas espaçonaves, congeladas no tempo. E depois... a Heracles abriu fogo.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

WRITOBER #19 - Poetic Justice

Ricochet188

O rato estava no meio da multidão e dividiu-a em duas como um profeta a separar as águas. Estava coberto por uma túnica que não trazia há momentos e numa mão estava uma arma e, na outra, um dispositivo que não dava para ver o que era.
O Capitão e Gilass continuavam de costas.
"O que te prometeram, Persimon?" perguntou o Capitão entre goles. Bateu com o copo na mesa. "Dinheiro? Prazer? A tua tripulação?"
"Imortalidade" respondeu o poeta.
"Oh não, és um daqueles vilões!" Momoa soltou uma gargalhada com bafo ao álcool.
"Meu Capit-!"
"Não sou o teu Capitão nem porra nenhuma" cortou de imediato e enfrentou o traidor. A arma estava-lhe apontada. Riu novamente. "Continua, declama que sei que gostas... mas em rima, por favor."
Persimon não vacilou e pigarreou para dar a partida.
"Quando morreres, as pessoas vão ler sobre o Capitão Momoa. A história, a lenda, os factos, os feitos. E nós? Bonna, Suzako e os outros? Morremos à margem da lei, uma nota de rodapé do grande Capitão Momoa. E o nosso trabalho? Quem vai ler poesia de um pirata entesado? Ouvir a música de um mocado? Admirar as esculturas do Ibrahim, os quadros do Klaus. Tudo queimado e esquecido..."
O Capitão mostra o revolver nas calmas e assenta-o ao colo.
"E eles dão-te essa imortalidade?" Suspirou como, se de alguma maneira, reconhecesse a razão do lado do antigo camarada.
"Não quero ser recordado apenas como um pirata, mas como um homem das letras. Quero que a minha obra viva para sempre. Eles vão descarregar, memorizar, partilhar. Viverei para sempre na memória do universo." O capitão acariciou o punho da arma.
"E para isso preciso da Milano. Desculpa..."
"O que é isso na tua mão?" Momoa levantou a arma e esticou-a na direcção do homem. Este testemunhou tudo, permitiu o gesto e consentiu. Agora ambos tinham uma arma em cada direcção.
"É o meu plano B." Prime o botão no aparelho e leva-o à boca. Os lábios movem-se mudos e em câmara lenta.
Gilass também tinha a arma dela a levantar-se para Persimon.
O mercado era o olho do tornado. Calado, congelado naquele momento e nas paredes as pessoas afastavam-se e atiravam palavrões e ordens de comando para o ar.
Duas armas apontadas a uma.
"Anda, Milano." "Fica, Milano!"
E o staccato dos disparos ecoa pelo mercado e pelas artérias. Há quem se atire ao chão e começa a guinchar.
Gilass deixa a arma tombar no indicador. O Capitão cambaleia para o banco e senta-se. Persimon tomba para a frente.
Gilass caminha até ao corpo. Tinha uma entrada nas costas, pelo pulmão. Vira-o com a ponta da bota para o céu. Persimon, o poeta, abocanhava o ar como um peixe roubado à água, mas encarou a mulher e chorou como se visse a musa.

Fi-lo por ti.
A liberdade na palma, a criatividade na alma.
Escrevia, corria, e cada dia morri...

Voltou a morder o nada, a mastigar ar e a tossir espuma encarnada.

Pior do que morrer?
Viver sem amar, dormir sem sonhar.
Musa, pior do que morrer é esquecer.
Pior do que morrer é esquecer...

Gilass fechou-lhe os olhos e voltou ao Capitão.
Capitão, estamos a detectar aproximações de todas as direcções...
O Capitão sentado ergueu o braço e o dedo ao ouvido, "Identificação?"
Ainda não.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

WRITOBER #18 - Every Breath You Take

Desconhecido


"Já sabem. Uma hora: entrar, sair, não dar nas vistas. Suzako, ficas a aquecer o banco. Persimon, sobes e ficas à coca. Milano, caminhas comigo. Bonna, vinte passos atrás - faz a tua cena."
A cena dela era desaparecer e ser um fantasma. Ela era das poucas que sabia o que ia acontecer; ela, o Capitão e o traidor - só não sabia quem era.
Ela entrou para a Centaur com Suzako. Conheciam-se há imenso tempo. Era péssimo em confrontos, mas um ás a voar. Nunca descia ao terreno, ficava na cabina a fazer o que passava por música electrónica. Bonna ouvia-o pelo comunicador e respirava de alívio, iria partir-lhe o coração se tivesse de partir a cabeça do amigo com uma bala. Persimon entrara antes deles. Era o poeta, o mais velho e experiente. Leal ao Capitão e à causa, mas a sua arte tinha sempre um duplo significado. O comunicador emitia estática e isso não a agradava. O Capitão Momoa, Embaixador de Xilos, mais rápido enfiava um revolver na boca do que trair a tripulação. Sobrava a novata que estava com ele a fazer de isco.
Bonna Fide, o ofício dela era peculiar. Ela observava, conhecia as pessoas, ouvia-as e falava as coisas certas. Se ela não gostasse de alguém logo de início, o Capitão ponderava duas vezes em ter a pessoa na Centaur. Suzako e Persimon estavam na corda bamba. Um odiava combater e fazia de tudo para o evitar e o outro já estava farto daquilo tudo. Entrou numa loja, atirou umas fichas ao lojista e entrou para as traseiras. Subiu um andar, dois andares, três. Entrou numa casa aberta e caminhou até à varanda. Apanhou a caixa e abriu uma nesga para voltar a fechar. Atirou-a para a varanda da frente. Saltou atrás. Entrou pela janela para uma casa abandonada e voltou às escadas onde subiu mais cinco andares, onde chegou ao terraço com uma espectacular e vasta vista do mercado.
Consultou a equipa: música eléctrónica, estática, ...ou finge tanto me faz...estática. 
"Merda!"
Apoiou-se no joelho e voltou à caixa. Abriu-a. Tirou duas partes de uma espingarda. Enfiou a secção comprida na base e rodou até clicar. Montou a mira e ajustou. Depois enfiou a caixa de munição por baixo. Baixou a base da espingarda e apoiou no muro do terraço.
Música electrónica, ratos, milano. Estática. Respirou fundo e encontrou os três na mesma área. O Capitão encostado à Gilass e um espectro coberto a nadar na multidão.
Tirou a segurança, encostou o indicador ao gatilho e susteve a respiração.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

WRITOBER #17 - Quiet, We're Hunting Rats

Lorenz Hideyoshi Ruwwe


Seis meses passaram desde que Gilass se tinha demitido.
Acordou às cinco de uma manhã digital e sentou-se na ponta do beliche. Estava escuro em todo o lado: na camarata, nos corredores, lá fora em qualquer direcção no espaço. Não havia noção de dia e de noite, apenas um sistema horário que fazia menos sentido quanto mais longe estivessem da Terra.
Alongou os braços um de cada vez, o pescoço e estalou. Enfiou as calças, uma perna de cada vez. As botas, um pé de cada vez. Vestiu a camisa azul que meteu metade nas calças e o resto de fora. O revólver na mesa de cabeceira voltou ao coldre na cintura.
Antes de sair recuperou o casaco de cabedal castanho e parou no espelho. Esfregou os dedos pelo cabelo curto com restos de cera para o ajeitar. Bonna já a esperava lá fora, caminharam as duas em conversa rotineira e desceram até ao hangar. Momoa também lá estava sentado na naveta meio a dormir, meio a meditar. O Capitão abusava disso para passar um ar de superioridade contemplativa. Persimon estava com ele e deu-lhe um murro no braço quando as viu chegar. Suzako entrou na cabina e começou a preparar para sair.
Embarcaram e abandonaram a Centaur. Saltaram e navegaram até à colónia mais próxima. Suzako, o piloto, iniciou o protocolo de autorização para se aproximar. O capitão começou:
"Já sabem. Uma hora: entrar, sair, não dar nas vistas. Suzako, ficas a aquecer o banco. Persimon, sobes e ficas à coca. Milano, caminhas comigo. Bonna, vinte passos atrás - faz a tua cena."
Saltaram para a plataforma e desapareceram nas suas posições. Momoa liderou Gilass pelo mercado até se tornaram homogéneos com os locais. Às tantas, o conhecido deixou de fazer sentido e sentiu-se perdida, novamente pequena num novo mundo. Pessoas de vários tamanhos e feitios passavam por ela, uns deitavam olhares e outros atiravam frases em dialectos estranhos que o tradutor convertia com lag. Um braço tatuado puxou-a para um banco e fê-la sentar-se. Momoa tinha a mesma cara de frete. Odiava desperdiçar tempo e aquilo era mais do mesmo. Levantou dois dedos e dois copos fumegantes foram servidos.
"Bebe." Ponderou... "Ou finge. Tanto me faz."
"O que estamos a fazer?"
"A caçar." Levou o copo à boca. A mulher reparou nos olhos duros do capitão. Havia um misto de tristeza e raiva naquele tremer rápido que assistiu. Também muito atentos ao mundo. Baixou a cabeça e agarrou na bebida. No reflexo do copo, continuou a ver a multidão a escorrer. O Capitão espreguiçou-se e levou a palma ao ouvido e fingiu confidenciar à parceira do lado: Então?... Boa... Não, vamos esperar...
"O que estamos a caçar?"
"Ratos, Milano. Não mexas na arma e porta-te bem."
Seis meses passaram desde que Gilass tinha embarcado na Centaur. E todos os dias havia um teste novo.
Acordou às cinco de uma manhã digital; estava sentada a beber um copo no que passava por um meio-dia artificial e agora caçava ratos. Atrás dela a corrente de pessoas alterou.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

WRITOBER #16 - Dark Words, Dark Deeds

Damnagy

Num lugar longínquo, a roçar os términos da expansão humana, havia um sítio onde os colonos se reuniam depois do trabalho. Um bar. Depois havia aquele local escondido das pessoas e autoridades onde apenas quem queria ir sabia onde ficava. Um outro tipo de bar. Havia bebida a ser servida, música a ser tocada e fumo a ser expirado, nada diferente de um bar ou tasca registada, mas o tipo de pessoas que o frequentava deixava a desejar.
Uma figura encapuçada enfia-se numa das ruas laterais e desaparece da multidão, desce uns degraus húmidos e dá dois toques com as costas da mão. Uma brecha abre com um olho vivo. Trocam palavras num dialecto incompreensível e a brecha fecha-se. A porta range e arrasta-se para dentro.
O encapuçado entra e vai directo para uma mesa do canto onde tenta não dar nas vistas e falha miseravelmente. Uma mulher, dois homens, possivelmente mercenários repararam na aparição e seguiram-no com o olhar. Um deles pediu mais uma bebida e quando foi servido, descolou-se do bar e caminhou para o canto. Os outros mercenários seguiram-no. Sentaram-se nos lugares vazios e passaram a bebida ao homem coberto. Houve um sorriso.
"Vamos falar. Depois bebemos." E como se partilhassem o segredo mais importante do universo, chegaram-se à frente, quase encostando as cabeças. Ninguém conseguia ouvir a conversa, e ninguém tentava. Metiam-se nas suas vidas e já era bom.
Um casal acabou a bebida e ela pediu mais do mesmo. Quando recebeu o pedido, cotovelou o parceiro para tomar atenção.
"Piratas" comentou. "Não são da mesma tripulação. Estão ali três grupos diferentes." Levou o copo metálico aos lábios.
"O que tem?" Interveio a parceira.
"Os piratas não se juntam, Katinya." O barman passou por eles com um pano na mão a esfregar o balcão em movimentos circulares. Ele mesmo a tentar ouvir a conversa. "Está prestes a acontecer alguma coisa..."
O casal bebeu à vez, em silêncio, e não voltaram a olhar para a mesa do canto. De vez em quando surgia uma gargalhada da nuvem de tabaco do grupo, mas rapidamente era abafada. O casal acabou por se ir embora. E, um a um, a mesa do campo ficou vazia. O desconhecido foi o último a sair e deixou alguns créditos no balcão limpo. Saiu para a noite como um espírito que tinha vindo assombrar.
A primeira coisa que o barman fez quando se viu sozinho foi dirigir-se à mesa do canto. Pegou nos copos, no cinzeiro cheio e ajeitou tudo no tabuleiro. Quando se preparava para regressar, reparou num papel marcado por um copo húmido. Alcançou-o e levou-o à luz para ver o que estava escrito. Um poema. Amachucou a folha e lixo com ela.
Quem deixa poemas espalhados por aí?

In a remote location, almost beyond the limits of human expansion there was a place where colonists would gather after a day's work. A pub. There was also that obscure place, hidden from other people and authorities, where only the people who knew and wanted to go knew about. A speakeasy. Booze was served, music was played and smoke was exhaled. Nothing out of the ordinary and different from a legal and regular pub. The patrons left much to be desired though.
A cloaked person dives into a side street and mingles with the crowd, goes down a few steps and knocks twice with the back of his hand. A slit opens with a living eye looking out. Words are exchanged in a unknown dialect. The slit closes. The door creaks and drags inside. The hooded man enters and goes straight to a corner table. He tries to go unnoticed but fails miserably. A woman, and two men, maybe mercenaries, took notice and followed him with their eyes. One asked for another drink and when it arrived he took it to the hooded figure. The other mercenaries followed him. He took the drink and he smiled.
"Let's talk. Drinks later." And as if they shared the most important secret of the universe, they all leaned forward, bumping heads. No one could hear the exchange and no one was trying. Everyone was minding their own business and that was enough.
A couple finished their drinks, but the lady asked for more of the same. She elbowed her partner, new drink in hand, to summon his attention.
"Pirates" he told her. "And not from the same crew. I recognize three different groups." He took her metallic cup to his lips.
"What of it?" She commented.
"Pirates never join, Katinya." The barman walked near with a cloth in hand, scrubbing the counter with circular movements. He was trying to listening on them. "Something's coming..."
The couple finished her drink, now in silence and avoided the corner table. Once in a while, a cackle erupted from the cloud of smoke that had erupted from the group. And it was hushed immediately. The couple left soon after. The table was abandoned one by one. The unknown man was the last to leave, left some credits on the spotless counter and sneaked into the night, like a phantom on a haunting.
A first thing the barman did when he was alone was to walk to the that table. Took the cups, the full ashtray and tucked everything in the tray. When he was about to leave he took notice on a small paper, circled by a wet cup. Reached for it and took it to the light to see what was written on it. A poem. He crumbled the paper and threw it away.
Who the hell leaves poems laying around?

domingo, 15 de outubro de 2017

WRITOBER #15 - With a Little Help from my Friends

Mignon's Art

Segunda colaboração! Obrigado à Mignon's Art pela ilustração que mostrou ser um maior desafio do que estava à espera. Já seguia o seu trabalho há algum tempo, peças cheias de acção, movimento, história num estilo mais BD e era algo que queria experimentar fazer. Não estava à espera desta colaboração, mas quando vi a ilustração mil e uma ideias vieram-me à cabeça. Então, durante a semana de preparação fui criando impulso até hoje. Pensei em fazer algo mais cómico e, ao mesmo tempo, uma pausa na acção. Às tantas lembrei-me daquelas tropes dos filmes dos anos 80 e decidi partir com isso. É um momento mais chill para um domingo. Alguma leveza, brincadeira e depois vai ser sempre a descer! Obrigado novamente e até ao próximo fim de semana com mais uma convidada!

Second collab! Thank you, Mignon's Art for the artwork which proved to be a bigger challenge than I expected. I've been following her work for quite some time. Art full of action, movement, a comic paced narrative, and I wanted to try something too. I wasn't expecting her to join but as soon as I saw the artwork I had tons of ideas. So... this week I created some momentum until today. I wanted to add comedy and pause the action a bit. At the last minute I remembered some 80s movies tropes and I went with it. It's a chill moment for a chill Sunday. Some lightness, fun and because it's downhill from now on! Thank you again and until next week where I'll have another guest!

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